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A onda do cinema

Foto: DivulgaçãoA quarta edição do Curta Canoa traz mais de 50 produções audiovisuais. Dentro da programação que percorre a lua cheia de amanhã, 11, até a de sábado, 15, serão exibidos três filmes produzidos na região Jaguaribana em uma mostra específica e competitiva. A maioria dos trabalhos circula o Brasil em festivais. O Curta Canoa tem alcançado frutos na própria região. Para a quarta edição do Festival Latino-Americano de Curta Metragem de Canoa Quebrada, em Aracati, três produções do Litoral Leste estão presentes na programação, estimuladas justamente pelas possibilidades de expor no festival. Reunidos na Mostra Jaguaribana, dentro da programação que percorre a lua cheia de amanhã, 11, até a de sábado, 15, três curtas-metragens - dois de Aracati e um de Fortim - vêm numa mostra paralela. Serão exibidos Quer Navegar e Natal de Sabina, ambos de Gilvânia Quacquarela (Aracati) e de Amor de Cigano, de Arnaldo Lima (Fortim).

"A criação dessa mostra veio pela própria demanda. Nos anos anteriores, tínhamos somente um ou dois curtas locais", comemora o diretor do festival, Adriano Lima, o incremento de mais um trabalho da região.

Bem mais badalada, a mostra competitiva agrega 23 vídeos (sete deles do Ceará) e 17 filmes, vindos de 10 estados e do Distrito Federal. Os inscritos ultrapassaram as quatro centenas. A maioria das produções já roda os grandes festivais do Brasil, como o espirituoso Os Filmes que Não Fiz, de Gilberto Scarpa (MG), que mostra a filmografia de um diretor que tem muitos projetos, mas nenhum filme realizado. O curta foi vencedor do Troféu Calunga da 12ª edição do Cine PE - Festival Audiovisual do Recife. A ficção do cearense Petrus Cariry, Reisado Miudim, uma história entre duas crianças e o reisado, também já alcança vitória, com o Prêmio BNB na Jornada Internacional de Cinema da Bahia.

Duas produções cearenses, no entanto, colocam pela primeira vez o "pé" no circuito de festivais através do Curta Canoa, muito embora já tenham sido exibidos em outros espaços. Corpo Frio, de André Dias e Possante Velho de Guerra, de Carlos Normando. Os dois realizadores apontam os festivais de exibição, em geral, como vitrine do Curta Metragem.

Estréias em festivais
Corpo Frio mostra a rotina de um jovem casal de classe média. Tudo muito normal, não fosse o fato de o casal ser manequim de loja, de plástico. O vídeo foi realizado em stop motion, resultado de um trabalho para uma disciplina na Escola de Audiovisual da Prefeitura de Fortaleza. Com vários trabalhos em animação, essa foi a primeira experiência do diretor com a técnica. "Esse ano, percebi que o Curta Canoa está crescendo, alcançando maior repercussão, reconhecimento de produtores de todo o país", aponta. A expectativa do realizador é que o festival consiga provocar discussões e troca de experiências. "Todo festival competitivo tem a questão da premiação, que fica muito a critério dos jurados, não existem critérios específicos, então muita coisa interessante fica de fora", diz, na perspectiva de o festival também levantar essas questões.

Carlos Normando, diretor do Possante Velho de Guerra elogia o caráter mais popular do Curta Canoa, com exibições na rua, acesso à população local para quem se interessar. "O objetivo principal é mostrar o trabalho, é importante rodar", comenta o início da maratona. O filme mostra histórias de pessoas e seus carros antigos que ainda circulam pelo Ceará.

O Troféu Lua e Estrela, criado pelo artista plástico José Tarcísio, vai servir de símbolo às homenagens do festival. "São personalidades e instituições que contribuíram para a formação cultural e social do Estado", informa Adriano Lima. Para esta edição, a solenidade contempla o O POVO, Edina Fuji, Argeu da Rocha Freire e Emiliano Queiroz.

Diversidade
Um passeio pela programação aponta para o caráter diverso do festival. Com temática livre, entre documentários, animações e ficções, o festival reserva para o último dia a premiação em duas categorias, vídeo e filme. Para o realizador Afonso Celso, que compete com o vídeo O Luiz de Fortaleza - uma produção feita a partir da memória de pessoas da cidade sobre o antigo Cine São Luiz - esse aspecto enriquece o festival. O diretor do Curta Canoa, Adriano, partilha da idéia. "A temática do festival é livre, pois não queremos excluir nenhum filme. E nossa pretensão é que possam ser visto pelos convidados, comunidade em geral e turistas de Canoa Quebrada", afirma.

SERVIÇO
Festival Latino-Americano de Curta Metragem de Canoa Quebrada, Curta Canoa 2008. As produções serão exibidas de 11 e 14 de novembro, sempre às 19h, com exceção do primeiro dia, que começa às 19h30min. As exibições de todos os filmes da programação são gratuitas e acontecem no Pólo de Lazer de Canoa Quebrada, assim como as homenagens que serão prestadas durante o evento.

1 > Dossiê Rê Bordosa (SP), de César Cabral
2 > Os filmes que não fiz (MG), de Gilberto Scarpa
3 > Tira os óculos e recolhe o homem (RJ), de André Sampaio
4 > Ecos da Terra (SP) de Paulo Abel Baraldi


E-MAIS

Os filmes selecionados para a Mostra Competitiva do IV Curta Canoa são: A Maldita (RJ), Bem Vigiado (RS), Dossiê Rê Bordosa (SP), Ecos da Terra (SP), Ele (ES), Ellen e Davi (RJ), Em Busca de Curitiba Perdida (PR), Enciclopédia do Inusitado e do Irracional (DF), Engano (RJ), Entre Cores e Navalhas (DF), O Guarani (BA), Os Filmes que Não Fiz (MG), Profetas da Chuva e da Esperança (SC), Relicário (SP), Sete Minutos (RJ), Subsolo (RS) e Tira os Óculos e Recolhe o Homem (RJ).

Já os vídeos que vão participar da Mostra são: Calango (DF), Canoa de Um Pau Roxo (ES), Corpo Frio (CE), Depois do Ovo, A Guerra (PE), Dim (CE), DOC 8 (RS), Eles Não Vão a Daslu (SP), Entre Loas e Batuques (CE), Hiato (RJ), Loucos de Futebol (CE), Lúmen (MG), Mãos de Vento e Olhos de Dentro (RJ), Maria Flor (DF), Penseira ou Simplesmente Marlinda (CE), Solitário Anônimo (DF), Moradores 304 (MG), O Luiz de Fortaleza (CE), O Pescador de Sonhos (SC), Pornographico (BA), Possante Velho de Guerra (CE), Reisado Miudim (CE), Rezas, Curas e Mitos (PE) e Rua das Tulipas (DF).

Além dos curtas do Ceará, participam do festival trabalhos dos seguintes estados: Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Paraná e Distrito Federal.

A escolha das melhores produções será feita por Luiz Carlos Lacerda, Amílcar Claro, Manfredo Caldas, Tibico Brasil e Mallu Moraes, todos eles envolvidos de forma direta com a produção cinematográfica, tanto no Brasil quanto no exterior.

A semana ainda reserva oficinas, uma Mostra Latino-Americana e uma Mostra Especial de longas-metragens. Nesta última, será exibido Grão, de Petrus Cariry, Bella Donna, de Fábio Barreto, e Houve uma vez dois verões, primeiro longa-metragem no diretor gaúcho Jorge Furtado, famoso pelos curtas Ilha das Flores e O Sanduíche.
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