Ano após ano, um novo recorde. Dos pouco mais de 300 participantes da primeira edição, a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará reuniu cerca de meio milhão de pessoas em 2007. Terceiro maior evento do gênero em todo o País — perdendo apenas para a Parada do Orgulho Gay de São Paulo (com seus expressivos 3,4 milhões de participantes) e a Parada do Orgulho GLBTT do Rio de Janeiro — a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará tornou-se um momento ímpar para as lideranças do movimento homossexual local. “É quando as nossas lutas e reivindicações assumem uma visibilidade massiva. O crescimento da parada é um indicador importante de que o Ceará, e mais especificamente Fortaleza, tem aprendido a conviver melhor com as diferenças”, considera Chico Pedrosa, presidente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), uma das entidades promotoras do evento.
Equilibrando a mobilização política com um forte aporte de atrações culturais, argumenta Pedrosa, as paradas são decisivas para sensibilizar e agregar a sociedade como um todo em favor da causa homossexual. “De um ponto de vista macro, nossas bandeiras tradicionais não são excludentes. Defendemos um direito básico, que é o direito às liberdades individuais”, diz. O presidente do Grab lamenta, porém, que o caráter festivo das paradas tenha se colocado como pretexto dos segmentos contrários às suas realizações. “Quem enxerga só a festa infelizmente não compreende a essência do movimento”, pondera. “Esse ano, por exemplo, teremos 12 trios elétricos na Avenida Beira Mar, mas teremos também dois abaixo-assinados circulando, além de um manifesto específico contra a homofobia e a realização de um minuto de silêncio em memória dos homossexuais vítimas da violência aqui no Estado”, completa.
Estereótipos sob suspeita
Prestes a estrear no teatro uma peça com temática gay (“Caio&Leo”, do dramaturgo Rafael Martins), o ator e apresentador de televisão Amenhotep Rodrigues faz ressalvas aos excessos de alguns participantes das paradas GLBTT. “É estranho, para mim, que a questão sexual — e, não, a sexualidade — fique tão em primeiro plano. Mostrar os peitos e a bunda numa manifestação de rua não significa, a meu ver, nenhum engajamento político ou afirmação homossexual”, observa. Para o presidente da Grupo de Resistência Asa Branca, entender e conviver com a diversidade passa por uma aceitação de determinadas posturas. “A cultura gay não é homogênea. Ela tem suas muitas faces e todas elas têm que ser muito bem vindas, senão não faz sentido falar de diversidade. Claro, há excessos na avenida, mas isso não é motivo para se deixar de ir a uma parada. Pelo contrário. Quem discorda e não vai acaba permitindo que aquela imagem que não lhe agrada ou lhe representa se sobreponha”, defende.
Figura cativa nos dias de Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, a historiadora Adelaide Gonçalves, professora da Universidade Federal do Ceará, já entende o excesso como bem-vindo nesses tipos de manifestação. “Todos os anos, eu me preparo. Para mim, é uma festa. Faço roupa nova, maquiagem... A fantasia, o sonho, a alegoria dão conta do meu respeito pela luta homossexual. Ir à parada toda produzida foi a forma que encontrei para me vincular de forma mais expressiva ao universo GLBTT e suas lutas, lutas essenciais para a sociedade como um todo. O que os homossexuais reivindicam é o direito à diversidade, ao prazer e alegria”, ressalta. Chico Pedrosa reforça a opinião da pesquisadora, pontuando que “a celebração e a festa são recursos tradicionais da militância homossexual”.
Poética das massas
Fascinado pelas multidões, o encenador paulista José Celso Martinez Corrêa vê nas paradas GLBTT uma possibilidade concreta de transformação da participação política. “Não me agrada nada esse som de bate-estaca e esse modelo gay norte-americano que se reproduz aqui, mas as paradas conseguiram, de certa forma, superar a militância política chata, com aqueles velhos jargões, num momento de grande potencial de interação”, diz. Para o veterano ator e diretor, líder do Teatro Oficina, a política precisa urgentemente se reencontrar com as ruas. “De preferência, assumindo uma dimensão cada vez mais carnavalesca. O carnaval rompe com essa lógica de relação direcional que a missa, a sala de aula e a política de palanque nos condicionam. Quanto mais carnavalesca forem as manifestações de rua, mais coletivas elas se definem. No carnaval, quando a gente se perde na multidão, a gente sai de si para se encontrar no outro, o que é uma energia absolutamente transformadora”, explica o veterano.
MAGELA LIMA
Repórter
Equilibrando a mobilização política com um forte aporte de atrações culturais, argumenta Pedrosa, as paradas são decisivas para sensibilizar e agregar a sociedade como um todo em favor da causa homossexual. “De um ponto de vista macro, nossas bandeiras tradicionais não são excludentes. Defendemos um direito básico, que é o direito às liberdades individuais”, diz. O presidente do Grab lamenta, porém, que o caráter festivo das paradas tenha se colocado como pretexto dos segmentos contrários às suas realizações. “Quem enxerga só a festa infelizmente não compreende a essência do movimento”, pondera. “Esse ano, por exemplo, teremos 12 trios elétricos na Avenida Beira Mar, mas teremos também dois abaixo-assinados circulando, além de um manifesto específico contra a homofobia e a realização de um minuto de silêncio em memória dos homossexuais vítimas da violência aqui no Estado”, completa.
Estereótipos sob suspeita
Prestes a estrear no teatro uma peça com temática gay (“Caio&Leo”, do dramaturgo Rafael Martins), o ator e apresentador de televisão Amenhotep Rodrigues faz ressalvas aos excessos de alguns participantes das paradas GLBTT. “É estranho, para mim, que a questão sexual — e, não, a sexualidade — fique tão em primeiro plano. Mostrar os peitos e a bunda numa manifestação de rua não significa, a meu ver, nenhum engajamento político ou afirmação homossexual”, observa. Para o presidente da Grupo de Resistência Asa Branca, entender e conviver com a diversidade passa por uma aceitação de determinadas posturas. “A cultura gay não é homogênea. Ela tem suas muitas faces e todas elas têm que ser muito bem vindas, senão não faz sentido falar de diversidade. Claro, há excessos na avenida, mas isso não é motivo para se deixar de ir a uma parada. Pelo contrário. Quem discorda e não vai acaba permitindo que aquela imagem que não lhe agrada ou lhe representa se sobreponha”, defende.
Figura cativa nos dias de Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, a historiadora Adelaide Gonçalves, professora da Universidade Federal do Ceará, já entende o excesso como bem-vindo nesses tipos de manifestação. “Todos os anos, eu me preparo. Para mim, é uma festa. Faço roupa nova, maquiagem... A fantasia, o sonho, a alegoria dão conta do meu respeito pela luta homossexual. Ir à parada toda produzida foi a forma que encontrei para me vincular de forma mais expressiva ao universo GLBTT e suas lutas, lutas essenciais para a sociedade como um todo. O que os homossexuais reivindicam é o direito à diversidade, ao prazer e alegria”, ressalta. Chico Pedrosa reforça a opinião da pesquisadora, pontuando que “a celebração e a festa são recursos tradicionais da militância homossexual”.
Poética das massas
Fascinado pelas multidões, o encenador paulista José Celso Martinez Corrêa vê nas paradas GLBTT uma possibilidade concreta de transformação da participação política. “Não me agrada nada esse som de bate-estaca e esse modelo gay norte-americano que se reproduz aqui, mas as paradas conseguiram, de certa forma, superar a militância política chata, com aqueles velhos jargões, num momento de grande potencial de interação”, diz. Para o veterano ator e diretor, líder do Teatro Oficina, a política precisa urgentemente se reencontrar com as ruas. “De preferência, assumindo uma dimensão cada vez mais carnavalesca. O carnaval rompe com essa lógica de relação direcional que a missa, a sala de aula e a política de palanque nos condicionam. Quanto mais carnavalesca forem as manifestações de rua, mais coletivas elas se definem. No carnaval, quando a gente se perde na multidão, a gente sai de si para se encontrar no outro, o que é uma energia absolutamente transformadora”, explica o veterano.
MAGELA LIMA
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
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Infelizmente ñ encontrei promoções , eu quería conseguir pelo menos na pista
estou desempregada e infelizmente ñ posso ir ..
por favor aguém me ajude me dando um par de ingressos pode ser na pista
talvéz até eu me anima ,meu pai morreu e eu estou muito triste ..
um beiju a todos e pra quem vai está nesse evento maravilhas viva e aproveite .