Navegue por aqui: Home Diversão Das paixões e multidões

:: eCeará.com.br ::

Das paixões e multidões

Parada Gay 2008
Ano após ano, um novo recorde. Dos pouco mais de 300 participantes da primeira edição, a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará reuniu cerca de meio milhão de pessoas em 2007. Terceiro maior evento do gênero em todo o País — perdendo apenas para a Parada do Orgulho Gay de São Paulo (com seus expressivos 3,4 milhões de participantes) e a Parada do Orgulho GLBTT do Rio de Janeiro — a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará tornou-se um momento ímpar para as lideranças do movimento homossexual local. “É quando as nossas lutas e reivindicações assumem uma visibilidade massiva. O crescimento da parada é um indicador importante de que o Ceará, e mais especificamente Fortaleza, tem aprendido a conviver melhor com as diferenças”, considera Chico Pedrosa, presidente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), uma das entidades promotoras do evento.

Equilibrando a mobilização política com um forte aporte de atrações culturais, argumenta Pedrosa, as paradas são decisivas para sensibilizar e agregar a sociedade como um todo em favor da causa homossexual. “De um ponto de vista macro, nossas bandeiras tradicionais não são excludentes. Defendemos um direito básico, que é o direito às liberdades individuais”, diz. O presidente do Grab lamenta, porém, que o caráter festivo das paradas tenha se colocado como pretexto dos segmentos contrários às suas realizações. “Quem enxerga só a festa infelizmente não compreende a essência do movimento”, pondera. “Esse ano, por exemplo, teremos 12 trios elétricos na Avenida Beira Mar, mas teremos também dois abaixo-assinados circulando, além de um manifesto específico contra a homofobia e a realização de um minuto de silêncio em memória dos homossexuais vítimas da violência aqui no Estado”, completa.

Estereótipos sob suspeita

Prestes a estrear no teatro uma peça com temática gay (“Caio&Leo”, do dramaturgo Rafael Martins), o ator e apresentador de televisão Amenhotep Rodrigues faz ressalvas aos excessos de alguns participantes das paradas GLBTT. “É estranho, para mim, que a questão sexual — e, não, a sexualidade — fique tão em primeiro plano. Mostrar os peitos e a bunda numa manifestação de rua não significa, a meu ver, nenhum engajamento político ou afirmação homossexual”, observa. Para o presidente da Grupo de Resistência Asa Branca, entender e conviver com a diversidade passa por uma aceitação de determinadas posturas. “A cultura gay não é homogênea. Ela tem suas muitas faces e todas elas têm que ser muito bem vindas, senão não faz sentido falar de diversidade. Claro, há excessos na avenida, mas isso não é motivo para se deixar de ir a uma parada. Pelo contrário. Quem discorda e não vai acaba permitindo que aquela imagem que não lhe agrada ou lhe representa se sobreponha”, defende.

Figura cativa nos dias de Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, a historiadora Adelaide Gonçalves, professora da Universidade Federal do Ceará, já entende o excesso como bem-vindo nesses tipos de manifestação. “Todos os anos, eu me preparo. Para mim, é uma festa. Faço roupa nova, maquiagem... A fantasia, o sonho, a alegoria dão conta do meu respeito pela luta homossexual. Ir à parada toda produzida foi a forma que encontrei para me vincular de forma mais expressiva ao universo GLBTT e suas lutas, lutas essenciais para a sociedade como um todo. O que os homossexuais reivindicam é o direito à diversidade, ao prazer e alegria”, ressalta. Chico Pedrosa reforça a opinião da pesquisadora, pontuando que “a celebração e a festa são recursos tradicionais da militância homossexual”.

Poética das massas

Fascinado pelas multidões, o encenador paulista José Celso Martinez Corrêa vê nas paradas GLBTT uma possibilidade concreta de transformação da participação política. “Não me agrada nada esse som de bate-estaca e esse modelo gay norte-americano que se reproduz aqui, mas as paradas conseguiram, de certa forma, superar a militância política chata, com aqueles velhos jargões, num momento de grande potencial de interação”, diz. Para o veterano ator e diretor, líder do Teatro Oficina, a política precisa urgentemente se reencontrar com as ruas. “De preferência, assumindo uma dimensão cada vez mais carnavalesca. O carnaval rompe com essa lógica de relação direcional que a missa, a sala de aula e a política de palanque nos condicionam. Quanto mais carnavalesca forem as manifestações de rua, mais coletivas elas se definem. No carnaval, quando a gente se perde na multidão, a gente sai de si para se encontrar no outro, o que é uma energia absolutamente transformadora”, explica o veterano.

MAGELA LIMA
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
Trackback(0)
Comentarios (3)Add Comment
0
...
escrito por Ana Jaqueline Rodrigues Lins , 26 47, 2008
Meu sonho é conhecer Bruno e Marrone em especial em uma festa no marina
Infelizmente ñ encontrei promoções , eu quería conseguir pelo menos na pista
estou desempregada e infelizmente ñ posso ir ..
por favor aguém me ajude me dando um par de ingressos pode ser na pista
talvéz até eu me anima ,meu pai morreu e eu estou muito triste ..
um beiju a todos e pra quem vai está nesse evento maravilhas viva e aproveite .
0
...
escrito por victor johnatan , 28 40, 2008
ée esse show vai ser o show!
hehehehe
hj estarei la pra curti esse dois grandes icones da musica sertaneja romantica!!
vlw!!
0
...
escrito por Alberto , 29 53, 2008
FOIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
MUUUUUUUUUUUUUITO MASSA!

Escreva seu Comentario
smaller | bigger

busy
 
BuscaPé, líder em comparação de preços na América Latina

Caça Baladas

<<  Jan 2009  >>
 D  S  T  Q  Q  S  S 
      1  2  3
  4
121314151617
18192021222324
25262728293031

Baladas em Destaque!

Click! eCeará


Coluna de Juan Vazquez

article thumbnailAs últimas notícias que li essa semana não foram muito boas para os jovens de Fortaleza. Primeiro destruiram o pobre do Bigode lá da Unifor, sem motivo nenhum, só para "fazer o mal". Agora um...
Leia Mais

Coluna da Clara Dourado

article imageA Música sempre andou ao lado da Moda. Servindo de referência para coleções, inspiração na hora de criar, pano de fundo para a compreensão da atmosfera transmitida durante um desfile. No dia...
Leia Mais

Coluna de Chico Piancó

article thumbnailE como o final do ano vem chegando, e junto suas glórias e mazelas, achei bacana tecer algumas considerações sobre o que passou e o que nos aguarda.
Leia Mais

Coluna de Vivi Prado

article thumbnailLendo alguns posts em comunidades da cena e-music, me deparei com um comentário em especial “é porque hoje em dia todo mundo tem preconceito com morning.. infelizmente!”. A pessoa se referia a...
Leia Mais