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Fortaleza receberá festival de baixistas

MIQUÉIAS DOS SANTOS, um dos nomes da nova safra de baixistas cearenses. Nélio Costa e Celso Pixinga também tocarão no festival, produzido por Marta Carvalho (Foto: Divulgação)
A cena musical cearense vem se destacando, entre outras vertentes, pela qualidade da produção instrumental. Apesar das conhecidas dificuldades para viabilização de discos, produção de shows com maior elaboração e mesmo para apresentações em palcos mais cotidianos, como bares e casas noturnas, a qualidade do trabalho desenvolvido pelos instrumentistas do Estado salta aos ouvidos de quem tem acesso a essa produção. Seja por meio de eventos como festivais especialmente dedicados a essa seara musical, seja através da grande trincheira de divulgação dos independentes em que há muito se transformou a Internet.


No contexto dessa cena na capital cearense, um instrumento vem revelando cada vez mais músicos de grande talento e despertando o interesse de jovens interessados em se dedicar à música. Se o norte-americano Jaco Pastorius foi um dos grandes responsáveis por tirar o contrabaixo de seu lugar secundário, na cozinha com a bateria, e levá-lo ao centro do palco, vários de nossos instrumentistas, assumidamente influenciados pela musicalidade do baixista da banda Word of Mouth e por outras legendas do baixo, acústico e elétrico, vêm garantindo um maior destaque ao instrumento. Com mais dedicação ao estudo e à busca de um maior grau de profissionalismo, o Ceará conta hoje com um time de baixistas de primeira linha, em palcos e estúdios de gravação. Inclusive atraindo aplausos nacionalmente, como já fizeram, entre outros, Jorge Hélder e Adriano Giffoni, emprestando seu talento à música de artistas como Chico Buarque, João Donato e Maria Bethânia. Um turma hoje reconhecida também pelos santos de casa, como Belchior, Ednardo e Fagner, entre vários nomes de gerações mais recentes.

Alguns dos representantes dessa safra participarão do I Festival Cover Baixo de Fortaleza, marcado para 13 a 16 de agosto. E já com inscrições abertas para músicos interessados em mostrar seu som no primeiro dia do evento, destinado à apresentação de novos talentos, a serem selecionados em audições no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. A instituição, que este ano celebra sete décadas, é uma das escolas locais que endossam o festival, assim como Guitartrix, Musimania, Centro de Artes Christus, Tom Maior, Tocata e Tônica. A Cearc, de Guaiúba, e a Escola de Música de Sobral também são apoiadoras, bem como o Sesc Senac Iracema (onde acontecerão os ´workshows´), a Associação Cearense de Músicos - Ascemus e a Ordem dos Músicos do Brasil - OMB no Ceará.

´Essa união de escolas para um festival como esse é algo difícil aqui. Estamos muito satisfeitos com essa articulação, e pretendemos manter isso para outros eventos e para uma maior troca de idéias entre as escolas´, ressalta a cantora e professora Marta Carvalho, produtora local do festival que, nacionalmente, é coordenado pelo baixista paulistano Celso Pixinga - um dos que virão ao Ceará. ´A sugestão de trazer pra cá o festival da Cover Baixo, que já acontece em outras capitais, veio do Adriano Giffoni, que me convidou a cuidar da produção e também vem tocar no festival. A partir daí chamamos as escolas, e tem sido uma experiência forte de parceria ´, acrescenta Marta, situando o objetivo do festival em dar uma contribuição para a música cearense.

´Queremos estimular os baixistas e reforçar esse caráter didático, através de atividades como o lançamento da apostila ´Assunto Grave´, do baixista Dudu Freire, da Musimania, e a apresentação dos 10 baixistas que passarem pela seleção. E, claro, tem os ´workshows´ dos baixistas cearenses e convidados, com nomes de referência para o instrumento, tocando com diferentes formações. Acho que vai ser um momento importante pra esse aprendizado, e também para o público em geral interessado em música´, aposta a professora. ´Acho que o baixo vem atraindo tantas pessoas porque é um instrumento surpreendente, encantador. O baixista, num certo sentido, é a alma de um grupo´.

Pixinga em ´workshow´

Atuando na escola EM&T, de São Paulo, e na revista Cover Baixo, com uma tiragem nacional de 50 mil exemplares por mês deixando entrever o grande número de leitores que se acostumaram a ter a publicação como referência para estudo e notícias sobre o instrumento, o baixista Celso Pixinga se diz entusiasmado em promover a estréia do festival na capital cearense. ´Espero que seja a primeira de muitas edições´, destaca, citando o início do festival na capital paulista, em 2005, e o giro por vários estados, desde então. ´Apostamos nisso desde 2006, quando saímos pra fazer o festival em Caruaru, em uma verdadeira aventura, e deu tudo super certo. A gente viu que tinha uma entrada pra esse segmento, e resolvemos fazer no Brasil inteiro´.

Endorser (músico patrocinado) de marcas de instrumentos e autor de métodos e vídeo-aulas, Pixinga, que não gostava do apelido na infância, mas hoje reconhece que o sobrenome caiu como uma luva para um músico, ressalta o formato do festival, dividido em ´workshows´. ´Cada artista tem um apresentação de 45 minutos, podendo tocar e falar para a moçada, explicar seu estilo, suas técnicas. Assim tem rolado uma confraria entre os baixistas, e não é surpresa estarmos sempre encontrando grandes músicos, fora do eixo Rio-São Paulo. Tenho certeza que vou chegar aí em Fortaleza e ouvir os caras tocando muito´.

Segredos e encantos do contrabaixo

Acompanho a revista Cover Baixo, até porque muitos alunos meus vêm trocar informações a partir de matérias da revista, que hoje está muito mais bem trabalhada e é um veículo pra divulgar os músicos em cenários além de onde eles tocam. Ter um festival da revista em Fortaleza é um passo importante pra que tenhamos mais baixistas cearenses aparecendo nas páginas da revista.

Para os alunos, há vários pontos interessantes em uma oportunidade assim. A apresentação de novos talentos no primeiro dia, com a chance de o aluno que vem se dedicando ao estudo subir ao palco, receber um reconhecimento, é muito estimulante. Outro ponto positivo é a reunião de vários músicos que são conhecidos, pra que esses alunos possam ter contato direto com grandes nomes do instrumento, como Celso Pixinga e Adriano Giffoni. E, diferente do que acontece dos shows, estando mais próximo dos músicos, trocando idéias diretamente. Essa é a idéia das aulas-show: o músico vai tocar, falar um pouco da técnica que usou, ou de como cada música foi composta. Normalmente, as pessoas que vão assistir querem ver principalmente ver o músico tocar, mas cabe ao artista saber estimular também as perguntas e tornar o show dinâmico, tratando de vários tópicos.

Mas o festival não é destinado somente aos músicos. O público em geral, que gosta de música, também deve participar. Muita gente ouve essas pessoas nos discos, e com o festival tem a chance de conhecer melhor esses artistas, saber um pouco da trajetória deles e da forma como eles vêem o instrumento.

O contrabaixo hoje é uma verdadeira febre em Fortaleza. É muito procurado nas lojas, vende depressa. Há muita gente começando a tocar e muitos interessados no baixo, não na guitarra, no teclado, como era antes. Eu mesmo comecei tocando violão e guitarra, mas quando prestei atenção no baixo, na postura com que se tocava, no som mais forte, aquilo encheu os meus olhos. Quando tive oportunidade de tocar o baixo pela primeira vez, não quis mais a guitarra.

PROGRAMAÇÃO

I Festival Cover Baixo em Fortaleza

13/8

- 18h - Dudu Freire - Workshow e lançamento da apostila ´Assunto Grave´. Apresentação de 10 baixistas selecionados, na mostra de novos talentos.

14/8

- 18h - Workshows Jerônimo Neto (CE), Nélio Costa (CE), Ebinho Cardoso ( MT), Bráulio Araújo (PE) e Demetrius Carvalho (SP)

15/8

- 18h - Workshows Giovanni Sena (CE), Iran Laurindo e John Grillo (CE), Mauro Sérgio (MA), Naim Ventura e Rennê Django (CE), Sérgio Groove e Jr. Primata (RN)

16/8

-18h - Workshows Miquéias dos Santos (CE), Nando Barreto (PE), Celso Pixinga (SP) e Adriano Giffoni (RJ)

Mais informações:

I Festival Cover Baixo de Fortaleza. Inscrições para baixistas abertas na Guitar Trix (3224-2260). Seleção em 16/7 e 17/7, no Conservatório Alberto Nepomuceno. Workshows de 13/8 a 16/8, no Sesc Senac Iracema.

DALWTON MOURA
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
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