Cães treinados ajudam a fornecer informações para entender como animais estão se adptando às alterações ambientais
Quatro cães estão ajudando pesquisadores da Conservação Internacional, a monitorarem as espécies de mamíferos ameaçados que vivem na região oeste do Parque Nacional das Emas e nas fazendas de seu entorno, localizadas nos municípios de Costa Rica (MS) e de Chapadão do Céu (GO).
A pesquisa tem como objetivo avaliar como alguns mamíferos utilizam os ambientes nativos remanescentes no local. Através da análise das fezes encontradas pelos cães, os pesquisadores conseguem informações sobre a sua dieta, estresse hormonal, parasitas, identidade genética e outras ocorrências biológicas.
O estudo utiliza uma área de 3 mil km2, onde os cães treinados ajudam a detectar as fezes dos animais monitorados, o uso de animais farejadores treinados já não é grande novidade no Brasil, mas para este fim é imensurável o valor avaliado em detrimento da ausência de uma ação não intrusiva no habitat, ou seja, não é necessário capturar os animais, sedá-los, ou realizar qualquer contato direto para a coleta de material biológico. Além disso, as informações necessárias podem ser obtidas a partir de um mínimo de amostras coletadas.
A localização é semelhante ao utilizado por cães farejadores de drogas, depois de uma amostra encontrada o acompanhante recompensa o cão pelo bom trabalho desempenhado e registra o local em GPS (sistema de posicionamento global). Com o auxílio do mapeamento via satélite, os dados são correlacionados e interligados com as características dos ambientes nos quais as amostras já foram coletadas, fornecendo as informações necessárias para entender como os animais estão se adaptando às alterações ambientais e permitindo estimar quais mamíferos terão condições de se reproduzir ou desaparecer da região.
Os pesquisadores são da Universidade de Washington, instituição parceira da ONG Conservação Internacional do Brasil (CI-Brasil). A atividade faz parte dos estudos para a tese de doutorado da pesquisadora do Centro para Biologia da Conservação da Universidade de Washington (CCB), bióloga americana, Carly Vynne. O projeto tem o apoio da Universidade de Brasília, do Fundo para a Conservação da Onça Pintada e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, equipamento gestor do Parque Nacional das Emas.
As amostras coletadas e os dados reunidos irão contribuir na análise de como os animais estão utilizando os ambientes dentro e fora do parque, em especial nas propriedades privadas da região. Desta forma, as ações de conservação poderão ser melhor direcionadas.
Dentre as espécies ameaçadas de extinção do Cerrado estão a Onça-pintada, Onça-parda, Anta, Tamanduá-bandeira o Tatu-canastra e o lobo-guará.





